
" Uma sociedade sem relações de poder só pode ser uma abstração... Dizer que não pode haver uma sociedade sem relações de poder não é dizer que aquelas que são estabelecidas são necessárias ou, de qualquer forma, que o poder constitui uma fatalidade no centro das sociedades, de forma que ele não pode ser minado. Em vez disso, eu diria que a análise, a elaboração e o questionamento das relações de poder... é uma tarefa política permanente, inerente em toda a existência social.” (Foucault, 1983)
A prática da educação escolar é tão impregnada em nossas vidas, que pensar a nossa sociedade sem a Escola é algo inimaginável. A instituição escolar assume uma indiscutível importância - e digo isso por considerar as outras formas de acesso ao conhecimento. O “porque” dessa importância já foi inúmeras vezes discutido e refletido, existindo desse modo varias versões e concepções. No entanto ainda há uma mistificação sobre a prática da educação escolar no concerne às relações de poder.
A palavra poder não foi relegada pela práxis, mas incorporou ao longo dos anos um significado pejorativo. Quando se fala em poder associasse a palavra à opressão, a manipulação, a manutenção do regime vigente, o que a torna impronunciável em certos meios – no máximo, quando possível, categorizada de “mal necessário” ela se torna tolerável. Mas desconsiderar as relações de poder impregnadas na prática educacional é vedar os olhos a algo que não é apenas tácito a ação, mas é motivador e intrínseco a ela. No entanto na formação do docente, o discurso pedagógico vigente apresenta o termo em questão em seu caráter apenas coercitivo, e não como uma relação presente e constante em nossas relações sociais.
Um discurso que marginaliza um termo por si só já exerce um poder coercitivo, no momento que define e impõe um pensamento único. Questionar o discurso pedagógico é algo que não esta dissociada da pratica de um profissional da educação. Sendo a Educação, e nesse ponto em questão a educação escolar, uma ação onde a prática das relações de poder é constante, nada mais cabível do questionar esse discurso e questiona-lo porque como coloca Foucault é uma tarefa política diretamente relacionada com o papel do educador. E levantar essas questões dentro da formação do educador e de uma importância ainda maior já que é durante essa formação que esse discurso é incutido em nosso discurso enquanto futuros profissionais, ao mesmo tempo em que as práticas presentes na formação deste reforçam as relações de poder enquanto práticas intrínsecas a educação.
“E tudo está imerso em relações de poder e saber, que se implicam mutuamente, ou seja, enunciados e visibilidades, textos e instituições, falar e ver constituem práticas sociais por definição permanentemente presas, amarradas às relações de poder, que as supõem e as atualizam. Nesse sentido, o discurso ultrapassa a simples referência a "coisas", existe para além da mera utilização de letras, palavras e frases, não pode ser entendido como um fenômeno de mera "expressão" de algo: apresenta regularidades intrínsecas a si mesmo, através das quais é possível definir uma rede conceitual que lhe é própria.” (Fischer, 2001)





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