Anotações de fundo de caderno

Faz tempo que não sento para escrever....Minha semana anda cheia e eu ausente de mim mesma não sei me explicar. Pois vamos as disciplinas desse semestre e algumas questões que tem me surgido entre uma aula e outra, um texto e outro. Para terem uma ideia há mais anotações no fim do meu caderno do que das aulas. É inevitável pra mim, as ideias me fermentam a cabeça no meio da aula, preciso anotá-las antes que se enveredem no ar e me deixem a merce das "manias de explicação" (esse aprende com Beltão) sem a formigação pelo saber.

A primeira anotação do meu caderno e uma caricia  ao hino Nacional Brasileiro, ao meu ver o mais belo hino da pátria. Assim começo me pensamento, e quando fui pensando, fui também chorando ao perceber como ainda essa terra que eu amo tanto e que o hino exalta. Me pergunto se a geração que iria mudar o mundo venceu ou fracassou, ou foi o mundo que se rebelou. O que aconteceu, ninguém me diz e eu continuo a perguntar, essa minha mania de "POR QUE" não passa com a idade só piora.

Talvez seja o que mais guardo da infância, quando a função imaginativa da linguagem já não comporta minhas perguntas e meus dilemas, extravasso e grito um grande "POR QUE". Nesses devaneios, minhas leituras envocam o que já li, porque leio porque dantes já havia lido algo, ninguém parte para uma viagem sem bagagem, tão pouco para um texto. E para se contar textos, no ardúo exercicio da contação é necessário te casa neles.

Agora vamos finalmente dando nome aos bois. Tenho visto, discutido e pensado obre temas que não estão inclusos no curriculo linear da formação do professor, mas atormentam como fantasmas silêncios - ou não- o cotidiano desses profissionais. São temas diversos mas que se completam por farem parte tanto da esfera do academico quanto a da arte, mas principalmente por estarem imersos dentro da vida vivida no dia-a-dia. Assim tenho debatido sobre Xenofobia, Urbanismo, Religião, Corpo, Arte, Regimes totalitários, Formação de indentidade, a Hipertextualidade do mundo.

É muito complicado dizer que isso se dá em uma disciplina só. Muitas de minhas anotações se dão em espaços a parte da sala de aula - já falei sobre a disciplina de patiologia com vocês, lembram? - é no corredor, no banheiro, no balcão da biblioteca, no onibus, no ponto esperando o carro, é dentro da sala do GEC, as vezes é lendo poesia. A arte é mais que uma forma de saber, e para o professor é essencial por proporcionar uma sensibilidade que é necessária para a prática.

Tenho grandes expectativas para esse semestre.

Possessão - (A.C.Lima)



"Quando meus pensamentos já não se explicam,

Quando sou só noite e tempestade,

mas desejo ser brisa pairo entre o espaço, o tempo, e o ar.

viro letra e lembro que sei voar... (A.C.Lima)"





O corpo já não respondia suas ações. Os sentidos já não decodificavam o som ao redor e o corpo todo navegava do devaneio ao caos em instantes, como que preso em um redemoinho de sensações. Já não eram mãos ou bocas, nem pele ou músculos. Eram algo aparte da natureza, algo estranho e irresistivelmente atormentador.



O estalar de pele e o contrair de músculos interruptamente, entre sussurros de silêncio no desenrolar da loucura, buscava em vão verbalizar o que a lógica ordenava. Incapaz. A garganta impotente, não pronunciava o som, calando a voz. Como se seu corpo já não fosse seu, e possuído por outro, subjugado e amarrado a caprichos alheios, se sentisse finalmente em casa. Como que retornado a vontade do legitimo dono e alheio àquele que nele morava.



E da pele o doce néctar, preparado no friccionar de toques e aquecer de corpos, escorria perigoso entre todas as curvas, por todos os poros. Um calor abrupto e desconcertante dispensava qualquer vestimenta. E um frio suspenso pairava sob o toque audaz arrepiando a pele. Suspensa entre o tempo, o espaço e o ar, a razão observava -em um misto de impressões- o dançar de corpos que sem música valsavam a sóis como crianças perdidas, como serpente e dragão, onda e areia. Corpos possessos, calados e sem voz.

Balada pra minha morte - (A.C.Lima)

Algumas baladas são tristes, e mórbidas. 

Outras são delicadas e suaves.

Algumas são pra dias de tempestade,

outras para verão fustigante.

Está é para o tempo que paira entre o passado e o presente.

Pensando nos dias vindouros

Onde palavras não mais direi

escrevo as memorias

Delírios

e coisas que desejei

Quando eu morrer

não quero flores tristes

Desejo violetas, margaridas e lírios...

Quando eu morrer

não quero que minha mãe chore

não quero que meu pai engula o soluço

quero o doce silêncio

de quando as palavras não significam nada

Quando eu morrer

não quero que esqueçam

meu pecados

não quero que me tornem

algo que não sou

perfeita! não por favor

Quando eu morrer

quero ser cinza dispersa no vento

em vida luto contra o corpo que me aprisiona o pensamento

não me encerre num caixão

Quando eu morrer

Toquem musicas alegres

Uma balada

Recitem poemas,

para as almas amadas

Quando eu morrer

dos dias felizes guardem lembranças

não quero tristezas

pois eu já não estarei triste....

São coisas pra quando eu morrer...

Agora me fale de amor.


Comercial das Havaianas - Por Joana Dourado

Fiquei revoltada com a hipocrisia da proibição do comercial das Havaianas! Moralismo barato, machismo, retrocesso! Não se pode falar de sexo de uma forma natural, divertida, bem humorada, criativa...?

Que babaquice! Ficaram boquiabertos, indignados, ofendidos com a avó moderninha, mas dentro de casa, por debaixo do pano as aberrações são constantes... Gravidez precoce, violência, pedofilia, abuso e assédio sexual, submissão feminina, ou seja, mais uma vez: HIPOCRISIA!

Adorei o comercial! E quero assistir várias vezes aqui na net, o meu querido mundo de subversão!




Muito boa!

http://joanadourado.blogspot.com/

Pensando o Ler

    “a leitura é a atribuição de um significado do texto escrito: 20% de informações visuais provenientes do texto; 80% de informações que provém do leitor”.

Aqui estou eu de novo pra falar sobre ler... ai que coisa gostosa falar sobre o que se ama. Estava lendo o artigo:


VAMOS LER? FORMAR LEITORES NO ESPAÇO ESCOLAR: UM IMPASSE NA CONTEMPORANEIDADE : Flávia Cristina Oliveira Murbach de Barros & Luiz Antonio Xavier Dias




Resto do Post

CoNviTE !!!

Fica aqui o convite para uma aula como você nunca viu igual. Venha ser polêmico Você também !!!

Pensando Sobre o poder- parte II

Muitos acusam as analises de Foucault (como por exemplo, Habermas e Taylor) de pessimistas já que ele não deixa nenhuma saída para as relações do poder disciplinar. No entanto cabe perguntar se viveríamos em um mundo sem relações de poder? Sendo obvia a resposta, cabe perguntar então por que evitar discutir as questões de poder na prática pedagógica não como um mal necessário, ou como um chaga negra a ser extirpada, mas sim como algo intrínseco a uma pratica algo que deve e pode ser questionado, discutido, analisado? São essas as perguntas que me levam a pensar, e a questionar o discurso e prática pedagógica no que concernem as relações de poder.

Podemos dizer baseado em Enguita que a organização da instituição escolar permanece quase que inalterada ao longo da história. As mudanças organizacionais ocorreram entre longos intervalos, ou seja, apenas algumas gerações puderam vislumbrar alguma mudança relevante na estrutura organizacional do processo educativo, enquanto que a maioria passou por todo o processo sem presenciar nenhuma revolução ou mudança. Mudam-se os conteúdos e até a nomenclatura do método, porém a organização funcional da escola é a mesma.




No entanto pode-se observar uma desvalorização – mesmo que só no discurso de senso comum – desta parte funcional da instituição escolar que origina as idéias mais prosaicas sobre a escola e professores. É questionável o fato de a escola ser tantas vezes, mas observada por suas idéias e tão pouco por suas praticas (ENGUITA,1989). Os conteúdos explícitos que a escola visa transmitir apesar de importantes na constituição da sociedade que somos nos permitem questionar se por si só justificam a existência de um aparato tão monstruosamente complexo como é a escola? Esse questionamento se torna ainda mais pertinente quando nos defrontamos com a quantidade e velocidade de informação que circula no nosso cotidiano em todas as formas de mídias.


E ainda que essas considerações fossem ignoradas, e acatássemos a premissa de que a escola existe pra transmitir conhecimentos seculares, mesmo nessa visão dos depararíamos com uma intensa relação de poder ao vislumbrar uma nada ingênua hierarquização de saberes – quando se definem qual saber ensinar, quando ensinar, na visão de quem ensinar – onde obviamente não existe uma relação de neutralidade.


“O processo pedagógico corporifica relações de poder entre professores e aprendizes com respeito às questões de saber: qual saber é valido, qual saber é produzido, o saber de quem. A pedagogia se baseia em técnicas particulares de governo, cujo desenvolvimento pode ser traçado historicamente/arqueologicamente, e produz e reproduz, em diferentes momentos, regras e práticas particulares.” (SILVA,1995)


Para além dessa hierarquização de saberes, que a escola habilmente efetua, existe uma forte interiorização da norma, do regulamento, da docialização do corpo que ocorre dentro da escola. Como coloca Foucault (1994) o momento histórico em que nasce a disciplina, nasce também uma arte do corpo humano. Um corpo fácil de ser controlado é um corpo fácil de ser subordinado, os ritos escolares como coloca Enguita - quando faz referência a Althusser- são o mais explicito exemplo de como dentro da instituição escolar a disciplina do corpo é tão importante para o decorrer da aula.



O poder disciplinar consiste em fazer que o indivíduo se sinta em constante vigilância, e por saber-se em sempre em visibilidade retorna por própria vontade as limitações do poder, fazendo-o com que estas funcionem sobre si (FOUCAULT, 1994), nisso está à importância de um corpo dócil.


As relações de poder impregnam o conteúdo (relação poder-saber), as práticas (poder disciplinar) e o discurso pedagógico (regimes de verdade). E no discurso temos potencializado as relações de poder da educação escolar.

“Os discursos, como os silêncios, nem são submetidos de uma vez por todas ao poder, nem opostos a ele. É preciso admitir um jogo complexo e instável em que o discurso pode ser, ao mesmo tempo, instrumento e efeito de poder, e também obstáculo, ancora, ponto de resistência e ponto de partida de uma estratégia oposta. O discurso veicula e produz poder;reforça-o mas também o mina, expõe, debilita e permite barrá-lo...não existe um discurso do poder de um lado e, em face dele, um outro, contraposto[...].” (FOUCAULT,1985)

As analises de Foucault levantam dúvida sobre a possibilidade e desejabilidade de dar resposta algum dia à questão: Que práticas e discursos pedagógicos são libertadores? Já que nos leva a questionar os discursos dentro de si mesmo, não aceitando que sejam ingênuos, pelo contrario contesta asserções de verdade e asserções de inocência em todos os discursos educacionais.

 Como coloca Marshall (SILVA, 1995), como profissionais da Educação, devemos registrar as fortes descrições de Foucault e repensar conceitos educacionais como “autoridade”, “poder”, “disciplina” e “pedagogia”. Isso não significa ridicularizar, suplantar ou tornar falsas outras abordagens dessas noções, mas mostrar um outro aspecto, ou uma outra máscara da realidade.

Pensando Sobre o poder- parte I


    " Uma sociedade sem relações de poder só pode ser uma abstração... Dizer que não pode haver uma  sociedade sem relações de poder não é dizer que aquelas que são estabelecidas são necessárias ou, de qualquer forma, que o poder constitui uma fatalidade no centro das sociedades, de forma que ele não pode ser minado. Em vez disso, eu diria que a análise, a elaboração e o questionamento das relações de poder... é uma tarefa política permanente, inerente em toda a existência social.” (Foucault, 1983)

A prática da educação escolar é tão impregnada em nossas vidas, que pensar a nossa sociedade sem a Escola é algo inimaginável. A instituição escolar assume uma indiscutível importância - e digo isso por considerar as outras formas de acesso ao conhecimento. O “porque” dessa importância já foi inúmeras vezes discutido e refletido, existindo desse modo varias versões e concepções. No entanto ainda há uma mistificação sobre a prática da educação escolar no concerne às relações de poder.

A palavra poder não foi relegada pela práxis, mas incorporou ao longo dos anos um significado pejorativo. Quando se fala em poder associasse a palavra à opressão, a manipulação, a manutenção do regime vigente, o que a torna impronunciável em certos meios – no máximo, quando possível, categorizada de “mal necessário” ela se torna tolerável. Mas desconsiderar as relações de poder impregnadas na prática educacional é vedar os olhos a algo que não é apenas tácito a ação, mas é motivador e intrínseco a ela. No entanto na formação do docente, o discurso pedagógico vigente apresenta o termo em questão em seu caráter apenas coercitivo, e não como uma relação presente e constante em nossas relações sociais.

 Um discurso que marginaliza um termo por si só já exerce um poder coercitivo, no momento que define e impõe um pensamento único. Questionar o discurso pedagógico é algo que não esta dissociada da pratica de um profissional da educação. Sendo a Educação, e nesse ponto em questão a educação escolar, uma ação onde a prática das relações de poder é constante, nada mais cabível do questionar esse discurso e questiona-lo porque como coloca Foucault é uma tarefa política diretamente relacionada com o papel do educador. E levantar essas questões dentro da formação do educador e de uma importância ainda maior já que é durante essa formação que esse discurso é incutido em nosso discurso enquanto futuros profissionais, ao mesmo tempo em que as práticas presentes na formação deste reforçam as relações de poder enquanto práticas intrínsecas a educação.


   “E tudo está imerso em relações de poder e saber, que se implicam mutuamente, ou seja, enunciados e visibilidades, textos e instituições, falar e ver constituem práticas sociais por definição permanentemente presas, amarradas às relações de poder, que as supõem e as atualizam. Nesse sentido, o discurso ultrapassa a simples referência a "coisas", existe para além da mera utilização de letras, palavras e frases, não pode ser entendido como um fenômeno de mera "expressão" de algo: apresenta regularidades intrínsecas a si mesmo, através das quais é possível definir uma rede conceitual que lhe é própria.” (Fischer, 2001)